Leituras de janeiro

fevereiro 05, 2018

O mês de janeiro foi finalizado com sete leituras e não consigo lembrar quando foi a última vez que li tantos livros em tão pouco tempo. Estou muito feliz, confesso que tinha me esquecido do quanto ler é prazeroso! Não é como se eu tivesse parado de ler, mas meu hábito de leitura diminui drasticamente nos últimos anos e estou empolgada por essa nova fase.

O Conto de Aia - Margaret Atwood

Foi a primeira leitura finalizada em 2018 e não poderia ter começado melhor. Uma distopia publicada pela primeira vez 1895 e adaptada para a televisão em 2017. Lembro vagamente de ter recebido indicação desse livro há alguns anos atrás, mas eu resolvi não ler por que não gostei da capa (olha isso!). Depois de todo o burburinho sobre a série e sobre o livro no ano passado (relançado em nova edição pela editora Rocco) fiquei com vontade de ler. Gostei muitíssimo e me arrependo de não ter lido antes.

Rota 66 - Caco Barcellos 

"A história da polícia que mata". É um livro reportagem do jornalista Caco Barcellos (um dos profissionais que mais admiro no ramo) sobre a ação dos policiais militares de São Paulo que matam civis e encobrem os próprios crimes. Uma leitura chocante - mesmo sabendo dessa realidade - e que levanta muitos questionamentos sobre a justiça brasileira e o papel da mídia.

A Bíblia dada ao menino por um anjo - Rebeca Maluf

Esse livro foi escrito por uma amiga muito querida e foi uma leitura bem rápida e gostosinha.


O mito de Sísifo - Albert Camus

Nesse livro o Albert Camus fala sobre o absurdo e desmembra um tema que considera o principal probleme filosófico: o suícidio. Li esse livro pois meu trabalho de conclusão de curso está relacionado com suicídio e queria aprofundar mais no tema, mas sinto que não aproveitei tanto quanto deveria. Vale uma releitura com mais calma e estudo.

Sobre Suicídio - Karl Marx

Seguindo a linha do livro anterior li essa publicação pouco mencionada do Karl Marx em que ele comenta um artigo escrito por Jacques Peuchet, um ex-arquivista policial que se dedicou aos trabalhos nos arquivos da polícia. O livro é extremamente curto e na verdade são comentários e considerações do Marx a respeito do trabalho que Peuchet realizou sobre suicídio.

Azeitona - Bruno Miranda

Esse foi uma das leituras que ficaram empacadas em 2017, mas felizmente terminei. É um livro juvenil com uma história previsível e divertida. É aquele tipo de leitura para intercalar com outras mais densas. 

A sutil arte de ligar o foda-se - Mark Manson

É um livro de auto-ajuda que bate de frente com as principais características da geração Millennium. A única coisa que me incomodou é que em alguns trechos o autor traz aquele tom de superioridade dos livros de auto-ajuda quando querem falar que são melhores que quaisquer outros livros de auto-ajuda. Eu não entendo por que fazem tanta questão de criticar um gênero para o qual escrevem. Tirando isso, é um livro muito bom.

Imprensa feminina e feminista no Brasil (Século XIX) - Constância Lima Duarte

Esse livro foi iniciado há alguns meses e lido em um ritmo lento. Trata-se de um dicionário ilustrado das publicações femininas e feministas no Brasil do século XIX. É uma leitura interessantíssima sobre os avanços da conquista da mulher na sociedade através da imprensa. 

Como disse no início do post estou empolga com as leituras e decide participar de alguns projetos literários. Segue a lista abaixo:


Projeto já iniciado, estou contando sobre a minha leitura nesse post.

  • Leitura em ordem cronológica de Virgínia Woolf com a Mell Ferraz
Sempre morri de vontade de ler Virgínia Woolf mas tinha receio por causa do fluxo de consciência presente em muitos dos seus livros. Comprei os dois primeiros livros para o projeto, 'A Viagem' e 'Noite e Dia' e estou empolgada (os primeiros livros da autora não foram escritos em fluxo de consciência).

  • Leitura em ordem cronológica de Dostóievski com a Isa Vichi
Dostóievski também é um autor que sempre quis ler, mas sempre deixava para depois por serem calhamaços. A Isa propôs a leitura em ordem cronológica e os primeiros livros são curtos então achei que seria uma boa forma de iniciar.

  • Leitura de 50 contos do Machado de Assis com a Duda Menezes
Como são contos achei que não custava nada participar também. E como a Duda pontuou todos os livros do Machado de Assis são facilmente encontrados pois estão em domínio público. Já li alguns dos contos, mas vai ser legal reler e acompanhar o projeto.

  • Clube do livro Infinistance com a Mel, a Loma e a Maki 
As meninas vão enviar um e-mail todo mês contando qual será o livro a ser lido no mês para que todo mundo possa participar e no fim elas vão enviar um e-mail com as impressões da leitura e compartilhando a opinião de todos os leitores. Legal, né?


Qual foi a sua melhor leitura de janeiro? Está participando de algum projeto literário em 2018? Comente, vou adorar saber e conversar mais sobre livros!

Organizar para ter paz

fevereiro 02, 2018


Desde 2017 iniciei um processo de organização que está salvando a minha vida. Resolvi implementar o método GTD - Getting This Done criado pelo David Allen que têm uma premissa básica: nossa mente não serve para armazenar ideias, mas para tê-las. O David apresenta todo o processo no seu livro traduzido no Brasil como A Arte de Fazer Acontecer pela Editora Sextante e é uma leitura muito válida, mesmo que você não vá seguir tudo o que ele diz. Quem quiser entender melhor sobre o assunto antes de embarcar na leitura recomendo ler os posts da Thais Godinho do blog Vida Organizada que além de explicar melhor sobre os ensinamentos do David Allen dá dicas excelentes sobre organização e produtividade. 

As "regras" básicas do método GTD que fizeram toda a diferença na minha organização:

(Coloquei regras entre aspas por que na verdade nada é regra, você precisa seguir àquilo que servirá para a sua vida).

1. Se você têm uma ação que demora menos de 2 minutos para fazer, faça agora! Eu procrastinava tanta tarefa pequena simplesmente por que não estava a fim de fazer, que antes mesmo de me dar conta eu tinha um monte de acumulada, não fazia nada, e ainda culpava a Netflix. Com essa dica simples eu comecei a fazer tudo o que fosse rápido e fácil sem deixar para última hora e é impressionante a quantidade de tarefas que diminui da minha lista.

2. Organize suas ações por contextoBasicamente você precisa organizar as suas ações com aquilo que você precisa fazer em casa, na rua, no trabalho, no computador ou no celular. Por que assim, você saberá qual lista olhar no momento certo. O David mostra que nossa mente sempre vai nos lembrar de coisas importantes no momento em que não precisamos saber sobre elas ou que nada podemos fazer a respeito e precisamos organizar para que quando esse pensamento nos atingir termos plena consciência de que será resolvido no momento certo. Isso significa que eu posso dormir em paz e não ficar preocupada às 2h da manhã por que lembrei de uma coisa importante que preciso fazer.

O mais interessante do método é que ele pode ser implantado em qualquer ferramenta, seja papel ou eletrônica. Tentei por um tempo me organizar através de um bullet journal, mas não durei nem dois meses e não me rendeu nada. Eu descobri que por mais que eu goste de escrever e manter registros em papel eu não consigo organizar meus compromissos e próximas ações dessa forma. Nesse caso a tecnologia é minha melhor aliada. Hoje eu uso o aplicativo Todoist para isso, organizado com base no método GTD, e não canso de dizer o quanto é maravilhoso. O aplicativo funciona como um sistema de listas (eu amo listas!) e a sensação de marcar uma tarefa como feita é maravilhosa.

Sempre fui organizada em relação ao ambiente físico, mas melhorei muito a minha produtividade depois que comecei a seguir o método. Arrumar, organizar, limpar. Fazer essas coisas me deixa relaxada e calma, me sinto em paz quando sei que as coisas ao meu redor estão organizadas por que me transmite a sensação de que se sou capaz de organizar meu ambiente com certeza conseguirei organizar a minha mente. 

Diário de leitura: lendo Moby Dick

janeiro 28, 2018

Resultado de imagem para capa moby dickA Tatiana Feltrin do canal Tiny Little Things iniciou um projeto de leitura conjunta da obra Moby Dick do Herman Melville e decidi participar. Moby Dick era uma daqueles calhamaços que morria de vontade de ler mais nunca tinha coragem então nada melhor do que enfrentar o desafio em conjunto com outros leitores. A proposta é ler 100 páginas a cada 15 dias. 

1º parte: capítulo 1 ao 17 

Como não tenho o livro físico, optei por ler no Kindle o que acabou sendo uma boa escolha devido aos muitos termos náuticos que aparecem no decorrer da leitura e que são facilmente consultados no dicionário do próprio Kindle. Não tenho qualquer conhecimento sobre embarcações e a princípio foi difícil visualizar certas cenas justamente por não identificar as descrições da narrativa. 

Moby Dick foi escrito por Hermam Melville (um ex-marujo da marinha mercante norte-americana) em 1851 e é um daqueles livros sobre o qual muito ouvir falar, mas no fundo não tinha conhecimento sobre o enredo. Iniciei a leitura com grande receio, mas fiquei surpreendida com o ritmo fácil e leve dos primeiros capítulos. A escrita do Melville me cativou e terminei de ler os capítulos propostos antes do previsto. A narração é feita em primeira pessoa pelo Ismael que já começa falando sobre sua necessidade de ir para o mar. Ele é um marinheiro mercante e está decidido a embarcar numa aventura de caça a baleias. Ele acaba por conhecer um canibal chamado Queequeg e a interação dos dois têm sido hilária e de quebra apresenta algumas críticas sensacionais. O Ismael conhece o Pequod, o navio baleeiro em que ele trabalhará e fica curioso a respeito da personalidade do capitão Ahab, ainda não apresentado.

"Podes me chamar de Ismael. Há alguns anos - não importa quantos, precisamente - com pouco ou nenhum dinheiro na carteira e sem qualquer interesse particular na terra, decidi navegar um bocado e ver a parte aquática do mundo. Esse é um costume que tenho para afastar a melancolia e ajustar a circulação. Sempre que sinto um amargor crescente na boca, sempre que minha alma se torna desalenta como um mês de novembro chuvoso, sempre que começo a me deter involuntariamente diante de lojas funerárias e passo a seguir todos os enterros que encontra e, sobretudo, sempre que minha hipocondria me domina e exige grande firmeza moral para impedir que eu vá deliberadamente para o meio da rua e arranque os chapéis dos passantes - decido que é hora de ir para o mar o mais depressa possível."

2ª parte: capítulo 17 a 40

O autor começa a fazer uso de diferentes narrações nos capítulos dando voz a outros personagens que fazem parte do navio baleeiro. A princípio, pareceu que não traria um bom resultado mas de fato só têm contribuído para a construção da história e dos personagens. Falando neles, o capitão Ahab em fim é apresentado e sua fama procede. Na sua primeira aparição já causa um alvoroço após um discurso sobre o real objetivo da viagem: encontrar Moby Dick.

Há um capítulo inteiramente dedicado a cetologia, em que o Ismael faz uma descrição sobre as baleias e trata-se de um dos capítulos mencionados como monótono, mas achei interessante a forma como ele descreve cada uma delas, tomando como base as próprias definições - ele já começa afirmando que considera a baleia um peixe e não um mamífero. Cabe ressaltar que o foco da caça é utilitarista, o que se mostra presente nessas descrições em que o personagem explica o que cada baleia fornece, não há demostração de crueldade desnecessária - obviamente o ato em si já é uma crueldade. 



A terceira parte do desafio será a leitura dos capítulos 40 a 58 até o dia 24 de fevereiro. Quem quiser acompanhar os vídeos da Tatiana é só clicar aqui. Irei atualizar essa postagem a medida que for avançando na leitura.